A agulha, a fila e a prioridade, atingimos a triste marca de 250 mil mortos no Brasil

Hoje, completamos um ano do primeiro caso confirmado de Covid-19 no Brasil. No meio a tantas notícias de que as vacinas acabaram, de pessoas furando filas para receber a dose e de muita discussão sobre quais seriam os grupos prioritários na vacinação, gostaria de refletir sobre como estamos nos comportando.

Quando começaram as notícias da vacinação, também caí na tentação do discurso de ser profissional essencial, pois trabalho no ramo de energia e como preciso viajar para garantir o abastecimento energético no Brasil, desejava, de alguma forma, constar na lista prioritária. Mas, é aí que cabe muita reflexão…

Se pararmos para pensar, todos nós conseguimos achar algum critério para nos colocar como essenciais, afinal, de forma geral, todos têm um papel importante a exercer no mecanismo complexo que a sociedade se tornou.

Com vacinas que neste início de campanha atendem a menos de 5% da população brasileira, o que me colocaria entre os 5% mais prioritários? O motorista de ônibus é essencial, profissionais de limpeza urbana também. Não podemos nos esquecer dos funcionários de supermercados, frentistas de postos de gasolina, caminhoneiros e os entregadores de comida.

Curioso, pesquisei qual foi o critério selecionado para definir a priorização. Descobri que a primeira avaliação, antes de qualquer interferência política, foi por grupos com maior taxa de mortalidade, por isso a primeira lista citava profissionais da saúde da linha de frente, idosos e indígenas.

Eu poderia me colocar para receber vacina junto ou antes desse grupo? Ou me vacinar imediatamente após essa primeira leva?

É necessária uma nota importante: considera-se que uma pessoa está imunizada 14 dias após a segunda dose.

Sendo assim, neste momento de “quase vacina” que estamos vivendo no país, vermos esses grupos populacionais tomarem até mesmo a segunda dose antes de tomarmos a nossa primeira é um grande sinal de civilidade.

Precisamos aprender que estamos inseridos em uma coletividade e lembrar de uma frase vulcana (meu lado nerd sempre aparece): “As necessidades da maioria superam as necessidades dos poucos, ou de um”.

No fim do dia nada muda: vamos seguir tomando cuidado e aguentando firmes porque já estamos assim faz quase um ano.

Faço um apelo: não vamos agora, praticamente com a solução em mãos, visto que a vacinação de todos os brasileiros é uma questão de tempo, fazer tudo o que já passamos ter sido em vão.

Reflexão de Rogerio Kiyoshi Wakate Yonemura

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