A Indignação, a Distância e a Ação

Geralmente eu não assisto Big Brother. E, por questão geográfica e fuso horário, mesmo se quisesse, não poderia assistir agora. Como ainda frequento redes sociais, tenho visto muitos posts de críticas e comentários sobre alguns participantes.

A curiosidade bateu forte e pesquisei sobre o motivo de tanta comoção. Não defenderei ninguém nem tomarei partido, mas, ao que parece, é novamente a maioria das pessoas se protegendo atrás das trincheiras virtuais que só o mundo digital nos oferece.

Mas como assim? Oras, uma das coisas que mais trouxe revolta foi o tratamento dado a um rapaz que desistiu de sua participação devido a uma conversa após deixar uma parte de sua identidade ser vista no programa. Outra foi o tratamento que outra participante, aparentemente favorecida pelo programa, deu ao mesmo rapaz.

O que sempre me intriga sobre a indignação coletiva da sociedade é que essas pessoas, tanto as vítimas como as detratoras, são de alguma forma, pessoas do nosso convívio. São parentes, colegas, amigos e até nós mesmos (e quando isso acontece é um passo difícil e doloroso reconhecer, mas necessário).

Gostaria de levantar um questionamento, que insisto em fazer em muitos casos: “O que você faz quando acontece ao seu entorno? Você também faz posts contra as pessoas que praticam isso? Conversa com quem está maltratando o outro?”

Já pensou que pode ser você o vilão desse reality sem show? É momento de parar para analisar se você, mesmo achando que faz algo correto, está sendo na verdade o grande vilão que simplesmente não foi revelado a todos por não existir uma câmera 24h/dia na sua vida para te expor.

É exaustivo falar sobre como as pessoas recorrem a proteção de achar que nunca terão que confrontar as pessoas que criticam a distância pela rede social e criam uma imagem de brigar pelo justo… mas, o que fazemos na vida real? Somos realmente observadores das injustiças e confrontamos ou evidenciamos os problemas? Ou pela conveniência apenas observamos?

Eu já passei por isso: muitas coisas erradas aconteceram e eu fiquei em silêncio. Há sempre o argumento de que mesmo que falemos ou façamos algo nada vai mudar. E em relação a comentários que caem em pessoas longe de nós? O que isso muda? Onde fica a diferença, então? Se nada muda em nenhum dos casos?

Devemos parar de comentar o que acontece em reality shows na televisão? Eu acredito que devemos buscar essa coragem que temos para nos indignar com o que acontece lá longe em uma esfera da sociedade que não nos afeta e nem deixa se afetar por nós e usar para realmente mudar alguma coisa a nossa volta. Ser mais indignados e menos silenciosos diante de algo injusto, principalmente se o injusto partir de nós mesmos.

Reflexão de Rogerio Kiyoshi Wakate Yonemura

One thought on “A Indignação, a Distância e a Ação

  1. Muito boa a reflexão do Rogério!! Estamos vivendo tempos de críticas e ódio movidos por mentes vazias e limitadas, ou talvez mentes trabalhadas para manipular as pessoas. Se antes o meio de manipulação era somente a programação ruim transmitida pelas emissoras de TV, hoje ela ganhou fortes aliadas nas redes sociais. Por isso devemos, nós que estamos incomodados com isso, usar as redes sociais de maneira séria para transmitir a beleza, a justiça, o conhecimento e os valores bons e as informações claras e verdadeira. Precisamos que as pessoas boas e com valores bons, que constroem o bem no mundo apareçam. A essa pessoas devemos dar voz.

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