Eu na CPTM: empatia

Deslocava-me da estação de trem de Barueri para Osasco onde podemos fazer a troca entre duas das linhas dos trens metropolitanos de São Paulo. Pois bem, eu desci na estação de Osasco e troquei de plataforma para pegar o trem da linha Osasco-Jurubatuba.

Sentada, aguardava o próximo trem quando notei que próximo a mim uma senhora, já idosa, entre sessenta e setenta anos olhava a placa que indicava o destino do trem naquela plataforma para Jurubatuba. Ela olhou para placa por algum tempo e em seguida se dirigindo a mim, perguntou: “esta é a plataforma que eu pego o trem com destino a Júlio Prestes?” Respondi, apontando para a placa, que aquela era a plataforma de parada do trem com destino à Jurubatuba.

Ela havia descido equivocadamente do trem em que estávamos, devendo portanto, voltar a mesma plataforma que desceu para pegar novamente o trem da linha Osasco-Júlio Prestes.

Ela partiu e uma outra senhora se aproximou de mim e muito indignada,  comentou “como uma pessoa olha para a placa, vê que o destino dos trens naquela plataforma é Jurubatuba e ainda pergunta se o trem que pára ali vai para Júlio Prestes?”

Naquele momento me recordei que minha avó, já falecida, não sabia ler e que da mesma maneira, ela olhava para as placas e perguntava às pessoas próximas o que estava escrito.

  Eu, que logo aprendi a ler e ajudava na leitura dos destinos dos ônibus que pegava com minha avó, percebi que a mulher que indagou-me sobre o destino do trem, não era capaz de ler o que estava escrito na placa.

Voltando-me para a passageira indignada, a questionei perguntando se admitia a possibilidade da senhora que me fez a pergunta não ser alfabetizada. Ela me respondeu que não, então retruquei que, a outra passageira tanto poderia ser analfabeta como poderia ter alguma deficiência visual mais grave.

É possível praticar empatia fornecendo informações para pessoas que nos abordam

Vivemos em um país com proporção muito grande de cidadãos não alfabetizados. Se alguém o abordar pedindo auxílio para fazer alguma leitura de placa, sinta-se privilegiado, pois essa pessoa reconheceu em você alguém que pode confiar para orientá-la adequadamente.

O paulistano tem fama de não dar informação completa ou até mesmo dar informação errada a quem pede. Eu, nasci em São Paulo, mas, sou filha de nordestinos, procuro sempre ajudar quem me pede orientação para chegar em seu destino.  São Paulo é uma cidade muito grande, com doze milhões de habitantes, vamos ajudar quem apenas passa pela cidade a chegar em seu destino, sejamos bons anfitriões.

Que tal praticarmos a empatia tratando quem nos pedir informação como se fosse nossos pais ou avós?

História de Jessica Ferreira Silva de Sousa

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