Cirurgia do Câncer de Mama

Era domingo, véspera da minha cirurgia para tirar um câncer. Naquela noite minha ansiedade era imensa, queria livrar-me logo de algo que poderia causar-me tanto mal. Até esse dia não havia comentado com outras pessoas, além de colegas de trabalho e minha família, sobre o meu diagnóstico e a cirurgia que teria que enfrentar. Era como se apenas a cirurgia fosse resolver todo o problema. Ingenuamente, não acreditava ainda que teria que passar por outros tratamentos mais agressivos. Foi então, que pensei em falar para alguém que pudesse ser como uma mãe e que iria rezar por mim ou me dar uma palavra positiva. Finalmente tive coragem e escrevi uma mensagem para a D. Umberta, mãe da Karla Cheli, pedindo orações e contando que passaria por uma cirurgia. Foi um desabafo.

A resposta da D. Umberta veio em seguida. Disse para eu mentalizar durante todo o tempo uma luz azul no local da cirurgia, imaginando que todo mal estaria sendo tirado e que tudo daria certo. Foram as palavras que eu precisava, comecei, então, a mentalizar essa luz azul e pensar que todo mal estava sendo tirado.

Na manhã seguinte acordei muito cedo e, enfim, chegou o momento de ir para o hospital.

Não parecia real o que estava acontecendo. Sentia uma sensação muito estranha ao ser conduzida pelos corredores do hospital em uma maca. A sala de espera do centro cirúrgico onde permaneci por um tempo estava cheia.

Pessoas em diferentes situações, como a mãe com o recém-nascido no colo em um espaço que logo foi fechado por cortinas para que ela tivesse privacidade para amamentar, o vai e vem de enfermeiros… Fiquei observando as pessoas e o ambiente. Eu estava tranquila, havia conseguido bloquear todo pensamento negativo.

Finalmente fui conduzida para a sala de cirurgia, o anestesista chegou, fez algumas perguntas… Nesse momento fiz uma oração e mentalizei novamente a luz azul.

Quando acordei, estava em outro local. Estava ainda confusa, mas ouvi a voz da minha médica conversando com outra jovem médica, provavelmente, uma residente. Ela fez algumas perguntas sobre mim, provavelmente para saber se eu estava totalmente consciente. Em seguida fui conduzida até o quarto. Estava me sentido bem e aliviada.

Mais tarde recebi uma ligação. Era a Karla. Disse que sua mãe comentou sobre minha cirurgia. Conversamos e, por muita coincidência, ela contou-me que também teria que tirar um nódulo. E foi assim que passamos a conversar sobre as angústias e incertezas no tratamento de uma doença, sempre de maneira bem-humorada, procurando rir das coincidências e até das dificuldades.

Sentir que não está só em uma situação difícil, traz um certo amparo. Foi pensando nisso que surgiu a ideia do nosso site para contar nossas histórias de superação com a finalidade de ajudar outras pessoas que estejam passando por dificuldades.   

História de Mariza Silva

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